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Fadiga na esclerose múltipla: por que o tratamento nem sempre resolve completamente

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 22 de abr.
  • 3 min de leitura

Fadiga na esclerose múltipla: por que o tratamento nem sempre resolve completamente
Fadiga na esclerose múltipla: por que o tratamento nem sempre resolve completamente



A fadiga é um dos sintomas mais comuns — e mais incapacitantes — da esclerose múltipla.

Para muitas pessoas, ela não é apenas cansaço.É uma sensação persistente que interfere no trabalho, nas relações e na rotina.


Mesmo com os avanços no tratamento da doença, uma dúvida permanece:por que a fadiga ainda continua?


O que é a fadiga na esclerose múltipla


A fadiga na esclerose múltipla é diferente do cansaço comum.

Ela pode aparecer mesmo após descanso e não está necessariamente relacionada ao esforço físico.


Na prática, ela pode se manifestar como:

  • falta de energia constante

  • dificuldade de concentração

  • sensação de corpo pesado

  • redução da capacidade de realizar atividades simples


Esse sintoma pode afetar até 95% dos pacientes ao longo da doença.


O impacto dos tratamentos na fadiga


Nos últimos anos, surgiram terapias altamente eficazes para o controle da esclerose múltipla.


Esses tratamentos são capazes de:

  • reduzir surtos

  • desacelerar a progressão da doença

  • controlar a inflamação


Mas quando o assunto é fadiga, o cenário é mais complexo.


O que o estudo revelou sobre fadiga e tratamento


O estudo analisou mais de 4 mil pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente após o início de terapias de alta eficácia.


Os resultados mostraram:

  • houve uma redução da fadiga

  • essa redução foi estatisticamente significativa

  • mas o impacto geral foi considerado pequeno


Ou seja: o tratamento ajuda, mas não resolve completamente o sintoma.


Fadiga física e mental: nem todas respondem igual


Um dos achados mais importantes do estudo foi que nem todos os tipos de fadiga se comportam da mesma forma.

A melhora foi observada principalmente na fadiga física.


Isso significa:

  • menos sensação de exaustão corporal

  • maior tolerância ao esforço


Por outro lado, a fadiga cognitiva (mental) não apresentou melhora significativa.


Esse é um ponto essencial, porque muitos pacientes relatam exatamente essa dificuldade:pensar, concentrar e manter atenção ao longo do dia.


Nem todos os tratamentos têm o mesmo efeito


O estudo também mostrou que o tipo de terapia influencia diretamente nos resultados.


Tratamentos contínuos, como:

  • natalizumabe

  • ocrelizumabe

  • fingolimode

apresentaram melhora mais evidente na fadiga.


Já terapias com outro mecanismo de ação não demonstraram o mesmo impacto.

Isso reforça um ponto importante:o tratamento precisa ser individualizado.


O que explica a fadiga na esclerose múltipla


A fadiga na esclerose múltipla não tem uma única causa.

O estudo reforça que a neuroinflamação tem papel central nesse processo.


Além disso, outros fatores podem contribuir:

  • alterações neurológicas diretas

  • sobrecarga do sistema nervoso

  • distúrbios do sono

  • fatores emocionais


Por isso, tratar apenas a doença não é suficiente para resolver completamente o sintoma.


O que isso muda na prática


Esse entendimento muda a forma como a fadiga deve ser abordada.

Não basta controlar a esclerose múltipla.É preciso tratar a fadiga de forma específica.


Isso pode envolver:

  • ajuste do tratamento medicamentoso

  • estratégias de conservação de energia

  • manejo do sono

  • acompanhamento multidisciplinar


Quando a fadiga precisa de mais atenção


É importante investigar com mais profundidade quando:

  • a fadiga impede atividades básicas

  • há piora progressiva do sintoma

  • o impacto emocional aumenta

  • o tratamento da doença está controlado, mas o cansaço persiste


Nesses casos, olhar apenas para a esclerose múltipla pode não ser suficiente.


Conclusão


A fadiga na esclerose múltipla continua sendo um dos maiores desafios no cuidado dos pacientes.


O estudo mostra que, mesmo com terapias altamente eficazes, a melhora existe — mas é limitada.


E isso deixa um ponto claro:

A fadiga precisa ser tratada como um sintoma próprio, com estratégias específicas.



 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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