Pensamento negativo repetitivo pode aumentar o risco de demĂȘncia, indica estudo
- Priscila Emery
- 5 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de jun. de 2025

Um novo estudo revela que o pensamento negativo repetitivo pode estar diretamente ligado ao declĂnio cognitivo acelerado e ao aumento do risco da doença de Alzheimer, o tipo mais comum de demĂȘncia. A pesquisa, liderada pela Dra. Natalie Marchant da University College London (UCL), analisou 292 pessoas com mais de 55 anos e descobriu que padrĂ”es de pensamento negativos, como preocupação constante e ruminação, estĂŁo associados ao acĂșmulo de proteĂnas no cĂ©rebro e Ă perda de memĂłria.
O que Ă© pensamento negativo repetitivo?
Esse padrĂŁo mental envolve preocupaçÔes persistentes com o futuro e ruminaçÔes sobre o passado. Trata-se de pensamentos que parecem incontrolĂĄveis e que sĂŁo comuns em condiçÔes como ansiedade, depressĂŁo e transtorno de estresse pĂłs-traumĂĄtico (TEPT). Segundo os pesquisadores, esse tipo de pensamento pode ser o "ingrediente ativo" por trĂĄs da ligação entre problemas de saĂșde mental e o desenvolvimento da demĂȘncia.
Estudo revela ligaçÔes com Alzheimer
Durante quatro anos, os pesquisadores monitoraram a função cognitiva dos participantes, avaliando memĂłria, atenção, linguagem e raciocĂnio espacial. Aqueles com maior tendĂȘncia a pensamentos negativos repetitivos apresentaram:
Maior declĂnio cognitivo geral
Piora significativa na memĂłria â um dos primeiros sinais do Alzheimer
AcĂșmulo de proteĂnas tau e amiloide, marcadores clĂĄssicos da doença de Alzheimer
Enquanto sintomas de depressĂŁo e ansiedade tambĂ©m foram associados ao declĂnio cognitivo, eles nĂŁo mostraram a mesma correlação com esses marcadores cerebrais especĂficos.
Como pensamentos negativos afetam o cérebro?
Biologicamente, pensamentos negativos persistentes estĂŁo ligados ao estresse crĂŽnico, que pode elevar a pressĂŁo arterial e os nĂveis de cortisol, o hormĂŽnio do estresse. Esse estado prolongado de tensĂŁo pode danificar tanto o corpo quanto o cĂ©rebro. Isso fortalece a hipĂłtese da âDĂvida Cognitivaâ, proposta pela Dra. Marchant, que sugere que o estresse mental acumulado pode cobrar um preço no funcionamento cognitivo com o passar do tempo.
Ă possĂvel reduzir o risco?
Embora ainda sejam necessĂĄrias mais pesquisas, o estudo aponta que o pensamento negativo repetitivo pode ser tratado com abordagens como:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Mindfulness (atenção plena)
Técnicas de respiração e relaxamento
AlĂ©m disso, hĂĄbitos saudĂĄveis como manter uma alimentação equilibrada, praticar exercĂcios fĂsicos e permanecer socialmente ativo sĂŁo fortemente associados Ă redução do risco de demĂȘncia.
Cuide da mente hoje para proteger o cérebro amanhã
Mesmo que ainda nĂŁo exista uma cura para a demĂȘncia, esse estudo reforça a importĂąncia de cuidar da saĂșde mental como forma de prevenção cognitiva. Se vocĂȘ ou alguĂ©m prĂłximo sofre com pensamentos negativos frequentes, procurar ajuda psicolĂłgica pode fazer mais do que melhorar o bem-estar atual â pode tambĂ©m preservar a saĂșde cerebral a longo prazo.