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Como o exercício físico muda a estrutura do cérebro

Foto do escritor: Priscila Emery
Priscila Emery
há 6 minutos
3 min de leitura

Relação entre exercício físico e neuroplasticidade reforça o papel do movimento na saúde cerebral ao longo da vida.
Relação entre exercício físico e neuroplasticidade reforça o papel do movimento na saúde cerebral ao longo da vida.

Todo mundo já ouviu que exercício físico faz bem para o corpo. Mas o que acontece, de fato, dentro do cérebro quando alguém se movimenta com regularidade?


A resposta vai muito além de uma sensação passageira de bem-estar. Pesquisas recentes mostram que o exercício físico provoca mudanças estruturais e químicas mensuráveis no cérebro, com potencial para impactar memória, concentração e regulação emocional.


Entender esse mecanismo ajuda a explicar por que o movimento é, cada vez mais, tratado como uma ferramenta de saúde cerebral, e não apenas de condicionamento físico.


O que muda na estrutura do cérebro


O exercício físico foi associado a um aumento de volume em áreas específicas do cérebro. Isso inclui a substância cinzenta, região onde ficam concentrados os corpos das células nervosas, e a substância branca, responsável por conectar diferentes áreas cerebrais entre si.

Um dos achados mais relevantes envolve o hipocampo, estrutura diretamente relacionada à memória. Estudos indicam que o treino de força, em especial, pode estar relacionado a um aumento no volume dessa região.


Outra área que parece se beneficiar é o córtex cingulado posterior, envolvido em processos de atenção e integração de informações.


Por que a comunicação entre redes cerebrais importa


O cérebro não funciona como estruturas isoladas, mas como redes que se comunicam constantemente. O exercício físico parece fortalecer essa comunicação entre três redes especialmente importantes: a rede executiva central, ligada ao controle de decisões e planejamento; a rede de modo padrão, associada à memória e à divagação mental; e a rede de saliência, que ajuda o cérebro a identificar o que merece atenção prioritária.


Quando essas redes se comunicam de forma mais eficiente, funções como controle executivo, memória e regulação emocional tendem a se beneficiar.


O papel de substâncias produzidas pelo próprio corpo


Um dos mecanismos por trás desses efeitos envolve substâncias naturalmente produzidas pelo organismo, entre elas o fator neurotrófico derivado do cérebro, conhecido pela sigla em inglês BDNF, e o fator de crescimento semelhante à insulina.


Essas substâncias atuam favorecendo o crescimento e a manutenção de células nervosas. As pesquisas indicam que o exercício de maior intensidade pode elevar os níveis de BDNF de forma bem mais expressiva do que atividades físicas leves, o que reforça a importância não apenas de se movimentar, mas também da intensidade desse movimento.


O que os estudos têm mostrado sobre cognição


Um estudo acompanhou pessoas mais velhas com comprometimento cognitivo leve durante um programa de treino de força de seis meses. Os pesquisadores identificaram que o ganho de força muscular ajudou a explicar uma parte considerável das mudanças observadas na cognição desses participantes.


Esse tipo de achado reforça uma ideia importante: o benefício cognitivo do exercício não parece depender apenas do movimento em si, mas também dos ganhos físicos reais que ele proporciona, como força e resistência.


Segundo especialistas da área, estudos bem conduzidos sobre exercício físico têm demonstrado alterações em marcadores relacionados à cognição em uma magnitude que chega a superar a observada em alguns medicamentos direcionados a mecanismos específicos da doença de Alzheimer, ainda que se trate de abordagens com objetivos e populações distintas.


Quanto exercício costuma ser recomendado


As diretrizes atuais sugerem cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, combinados com pelo menos dois dias de treino de força.


A intensidade do exercício aparece como um fator relevante nesse processo. Isso não significa que atividades leves não tenham valor, mas sim que, quando o objetivo inclui benefícios cognitivos mais expressivos, a intensidade parece desempenhar um papel importante.


Por que isso importa na prática


Esses achados ajudam a reforçar o exercício físico como parte de uma estratégia de cuidado com a saúde cerebral ao longo da vida, e não apenas como uma recomendação genérica de bem-estar.


Para quem busca proteger a cognição, especialmente com o avançar da idade, esses dados sugerem que aliar regularidade e intensidade ao exercício pode potencializar os benefícios observados sobre memória, atenção e funções executivas.


Conclusão


O exercício físico parece atuar sobre o cérebro de forma mais profunda do que se imaginava, promovendo mudanças estruturais, fortalecendo a comunicação entre redes cerebrais e estimulando substâncias ligadas ao crescimento neuronal.


Mais do que uma recomendação isolada, o movimento regular e bem dosado se consolida como uma ferramenta concreta de cuidado com a saúde do cérebro, com efeitos que acompanham a pessoa ao longo de toda a vida.




 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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