Melatonina pode ajudar a prevenir crises de enxaqueca?
- Priscila Emery
- há 6 horas
- 3 min de leitura

Quando se fala em melatonina, a maioria das pessoas pensa imediatamente em sono.
Mas pesquisas recentes sugerem que seus efeitos podem ir além da regulação do ciclo do sono.
Um estudo publicado recentemente mostrou que a melatonina foi mais eficaz do que o placebo na prevenção da enxaqueca, reduzindo a frequência e a duração das crises, além de melhorar a qualidade do sono dos participantes.
O que é a melatonina?
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo.
Sua principal função é regular o ritmo circadiano, ou seja, o ciclo biológico que influencia:
sono e vigília
temperatura corporal
liberação hormonal
funcionamento de diversos sistemas do organismo
Por isso, ela é frequentemente utilizada em situações relacionadas a alterações do sono.
O que as pesquisas observaram em pacientes com enxaqueca?
No estudo analisado, adultos com enxaqueca receberam melatonina ou placebo e foram acompanhados ao longo do tratamento.
Os resultados mostraram que os participantes que utilizaram melatonina apresentaram:
redução da frequência das crises
diminuição da duração dos episódios de dor
menor necessidade de uso de analgésicos
melhora da qualidade do sono
redução do impacto funcional causado pela enxaqueca
A melhora aconteceu apenas porque os pacientes dormiram melhor?
Não necessariamente.
Embora a melhora do sono possa ter contribuído para os resultados, os pesquisadores acreditam que a ação da melatonina pode envolver outros mecanismos.
O estudo destaca hipóteses relacionadas a:
modulação da dor
ação anti-inflamatória
influência sobre substâncias envolvidas na fisiopatologia da enxaqueca
regulação de processos neurológicos ligados ao sistema trigeminovascular
Isso sugere que os benefícios observados podem ir além do simples efeito sobre o sono.
A melatonina reduziu a intensidade da dor?
Os resultados mostraram melhora consistente na frequência e duração das crises.
No entanto, a intensidade da dor não apresentou diferença significativa quando comparada ao placebo em todos os desfechos analisados.
Ou seja, o principal benefício parece estar relacionado à prevenção das crises e não necessariamente à redução da intensidade de cada episódio.
O que aconteceu com a qualidade do sono?
Esse foi um dos pontos mais interessantes observados.
Os participantes que utilizaram melatonina apresentaram melhora significativa nos índices de qualidade do sono quando comparados ao grupo placebo.
Esse dado é relevante porque existe uma relação bidirecional entre sono e enxaqueca:
dormir mal pode favorecer crises;
crises de enxaqueca podem prejudicar o sono.
Melhorar um desses fatores pode influenciar positivamente o outro.
A melatonina foi bem tolerada?
Segundo os resultados apresentados, não foram observados efeitos adversos graves relacionados ao uso da melatonina.
Os eventos relatados foram leves e pouco frequentes, incluindo:
sonolência diurna
tontura
Além disso, a tolerabilidade foi semelhante à observada com placebo.
Isso significa que toda pessoa com enxaqueca deve usar melatonina?
Não.
Apesar dos resultados promissores, a melatonina não substitui uma avaliação médica individualizada.
A enxaqueca é uma condição complexa e multifatorial, e o tratamento deve considerar:
frequência das crises
intensidade dos sintomas
doenças associadas
uso de outras medicações
características individuais de cada paciente
O que esse estudo muda na prática?
Os resultados reforçam uma ideia importante:
Sono e enxaqueca estão mais conectados do que muitas pessoas imaginam.
Além disso, mostram que estratégias voltadas para a regulação do ritmo biológico podem ter papel relevante na prevenção das crises.
A melatonina surge como uma alternativa que merece atenção, especialmente pelo perfil de segurança observado nas pesquisas.
Conclusão
Pesquisas recentes mostram que a melatonina foi mais eficaz do que o placebo na prevenção da enxaqueca, promovendo redução da frequência e da duração das crises, além de melhorar a qualidade do sono.
Embora mais estudos ainda sejam necessários para definir quais pacientes podem se beneficiar mais, os resultados reforçam a importância de olhar para o sono como parte fundamental do cuidado com a enxaqueca.



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