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Enxaqueca em mulheres ainda é subdiagnosticada — e isso fez uma importante sociedade médica mudar suas recomendações

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura


Rastreamento precoce da enxaqueca em meninas e mulheres pode reduzir o subdiagnóstico e melhorar o controle da doença ao longo da vida.
Rastreamento precoce da enxaqueca em meninas e mulheres pode reduzir o subdiagnóstico e melhorar o controle da doença ao longo da vida.

Dor de cabeça frequente ainda é normalizada para muitas mulheres.


Na adolescência, costuma ser vista como “hormonal”.Na vida adulta, como consequência do estresse, da rotina ou da sobrecarga.


Mas pesquisas mostram que esse cenário tem um problema importante:a enxaqueca continua sendo subdiagnosticada e subtratada.


E foi exatamente por isso que a Sociedade Americana de Cefaleia passou a recomendar o rastreio anual de enxaqueca em meninas e mulheres.


Por que a enxaqueca merece mais atenção


A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte.


Ela é uma condição neurológica que pode causar:

  • incapacidade funcional

  • náuseas

  • sensibilidade à luz

  • dificuldade de concentração

  • impacto importante na qualidade de vida


Além disso, está associada a prejuízos sociais, emocionais e profissionais.


Mulheres são mais afetadas pela enxaqueca


Dados científicos mostram que a enxaqueca é significativamente mais comum em mulheres.


Segundo as novas recomendações, a prevalência aumenta especialmente:

  • após a puberdade

  • durante a vida reprodutiva

  • até o período da menopausa


Isso acontece, entre outros fatores, pela influência hormonal sobre os mecanismos neurológicos relacionados à dor.


O problema do subdiagnóstico


Muitas mulheres convivem anos com sintomas sem receber diagnóstico adequado.


Em vários casos:

  • tratam apenas as crises

  • usam medicações sem acompanhamento

  • não sabem que têm enxaqueca


As pesquisas apontam que esse atraso no reconhecimento da doença contribui para:

  • piora da frequência das crises

  • maior impacto funcional

  • pior qualidade de vida


O que mudou nas recomendações


A Sociedade Americana de Cefaleia passou a recomendar rastreio anual de enxaqueca como parte do cuidado preventivo de rotina para meninas e mulheres.


A recomendação vale:

  • da adolescência

  • até a menopausa


O objetivo é identificar casos precocemente e reduzir o subdiagnóstico.


Como funciona o rastreio


O estudo destaca uma ferramenta simples chamada ID Migraine, composta por três perguntas relacionadas aos últimos três meses.


O questionário investiga se a dor de cabeça:

  • limitou atividades diárias

  • causou náuseas

  • esteve associada à sensibilidade à luz


Quando pelo menos duas respostas são positivas, existe forte indicação para investigação mais aprofundada.


Por que isso é importante


Um dos pontos mais relevantes é que o rastreio leva menos de dois minutos.

Isso permite que ele seja incorporado em:

  • consultas de rotina

  • formulários médicos

  • avaliações preventivas


Segundo as evidências científicas, identificar a enxaqueca mais cedo pode permitir:

  • tratamento adequado

  • melhor controle das crises

  • redução do impacto da doença ao longo do tempo


Nem toda dor de cabeça é “normal”


Um dos maiores problemas da enxaqueca é justamente a normalização.


Muitas mulheres escutam durante anos frases como:

  • “isso é estresse”

  • “isso é hormonal”

  • “todo mundo sente isso”


Mas crises frequentes, incapacitantes ou associadas a outros sintomas precisam de investigação.


O que isso muda na prática


Essas novas recomendações reforçam um ponto importante:

Enxaqueca deve ser rastreada da mesma forma que outras condições relevantes da saúde feminina.


Isso representa uma mudança importante porque reconhece o impacto real da doença — não apenas como sintoma, mas como condição neurológica com grande impacto funcional.


Conclusão


A recomendação de rastreio anual de enxaqueca em meninas e mulheres representa um avanço importante no reconhecimento da doença.

As pesquisas mostram que diagnóstico precoce e tratamento adequado podem reduzir significativamente o impacto das crises.


E isso reforça uma mensagem essencial:

Dor de cabeça frequente não deve ser normalizada.


 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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