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Fadiga na esclerose múltipla pode estar ligada a alterações no cérebro, cognição e depressão

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura
Alterações cognitivas, emocionais e estruturais do cérebro podem estar diretamente relacionadas ao agravamento da fadiga na esclerose múltipla.
Alterações cognitivas, emocionais e estruturais do cérebro podem estar diretamente relacionadas ao agravamento da fadiga na esclerose múltipla.

A fadiga é um dos sintomas mais incapacitantes da esclerose múltipla.

Mas ela ainda é frequentemente mal compreendida.


Muitas pessoas escutam que é apenas “cansaço”, quando, na prática, o impacto pode ser muito mais profundo:

  • físico

  • cognitivo

  • emocional


Agora, novas pesquisas ajudam a entender por que a fadiga pode piorar ao longo do tempo — e o que acontece no cérebro nesses casos.


A fadiga na esclerose múltipla vai além do cansaço comum


Na esclerose múltipla, a fadiga não costuma melhorar apenas com descanso.


Ela pode surgir mesmo após pequenas atividades e interferir diretamente em:

  • concentração

  • memória

  • produtividade

  • rotina diária


Além disso, muitos pacientes relatam uma sensação persistente de esgotamento físico e mental.


O que as pesquisas observaram


Pesquisadores acompanharam pacientes com esclerose múltipla antes e após o início de tratamentos modificadores da doença.


Ao longo de 18 meses, observaram que parte dos pacientes apresentou piora progressiva da fadiga.


E alguns fatores apareceram de forma consistente associados a esse agravamento:

  • maior incapacidade física

  • pior desempenho cognitivo

  • depressão

  • redução do volume cerebral em áreas específicas do cérebro


O cérebro parece ter um papel importante nesse processo


Um dos achados mais relevantes foi a associação entre piora da fadiga e redução do volume cerebral em regiões ligadas a:

  • cognição

  • emoções

  • percepção corporal

  • recompensa e motivação


Entre as áreas identificadas estavam:

  • tálamo

  • núcleo accumbens

  • regiões do córtex cingulado

  • substância branca cerebral


Isso sugere que a fadiga pode estar diretamente relacionada a alterações estruturais no cérebro.


Por que isso muda a forma de entender a fadiga


Durante muito tempo, a fadiga foi vista apenas como consequência do esforço físico da doença.


Mas as evidências científicas mostram que ela envolve mecanismos neurológicos muito mais complexos.


A percepção subjetiva de exaustão parece envolver:

  • processamento emocional

  • motivação

  • integração cognitiva

  • percepção corporal


Ou seja: a fadiga não é apenas “falta de energia”.


A relação entre fadiga e depressão


Outro ponto importante observado pelas pesquisas foi a associação entre fadiga e depressão.


Pacientes com diagnóstico de depressão apresentaram maior risco de piora da fadiga ao longo do acompanhamento.


Isso reforça que saúde mental e sintomas neurológicos frequentemente estão interligados na esclerose múltipla.


Cognição também influencia a fadiga


Os pacientes com pior desempenho cognitivo apresentaram maior tendência à piora da fadiga.


Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas descrevem:

  • esgotamento mental

  • dificuldade de concentração

  • sensação de “cérebro cansado”

mesmo sem esforço físico importante.


O que isso muda na prática


Esse entendimento traz uma mudança importante no cuidado da esclerose múltipla.

A fadiga não deve ser tratada apenas como um sintoma secundário.


Ela precisa ser avaliada considerando:

  • função cognitiva

  • saúde emocional

  • progressão neurológica

  • alterações cerebrais estruturais


Isso reforça a importância de uma abordagem mais ampla e individualizada.


Por que reconhecer a fadiga é importante


Muitas pessoas com esclerose múltipla sentem que a fadiga é um dos sintomas menos compreendidos ao redor delas.


Porque ela nem sempre é visível.


Mas pesquisas mostram que ela pode ter impacto profundo na qualidade de vida, funcionalidade e autonomia.


Reconhecer isso faz parte do cuidado.


Conclusão


Novas evidências científicas mostram que a fadiga na esclerose múltipla está associada não apenas à incapacidade física, mas também a alterações cognitivas, emocionais e estruturais no cérebro.


Esses achados ajudam a compreender a fadiga de forma mais ampla — e reforçam que ela é um sintoma neurológico complexo, real e multifatorial.

 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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