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Prevenção da enxaqueca: o que dizem as novas recomendações para o tratamento preventivo

Foto do escritor: Priscila Emery
Priscila Emery
há 3 minutos
4 min de leitura


Muita gente com enxaqueca passa anos tratando apenas as crises. Toma um remédio quando a dor aparece, espera passar e segue em frente até a próxima.


Para algumas pessoas, isso basta. Para muitas outras, as crises se repetem tanto que começam a atrapalhar o trabalho, a rotina e os planos.


É aí que entra a prevenção da enxaqueca. O objetivo não é só aliviar a dor quando ela chega, mas fazer com que ela chegue menos vezes e com menos força.


Em 2026, a Academia Americana de Neurologia e a Sociedade Americana de Cefaleia publicaram uma nova diretriz sobre o tratamento preventivo da enxaqueca. Veja abaixo o que ela recomenda e o que isso significa para quem convive com a doença.


Enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte


O primeiro ponto da diretriz pode parecer simples, mas é fundamental: a enxaqueca é uma doença neurológica crônica, e não apenas uma dor de cabeça forte.


Ainda não existe cura. Mas as opções de prevenção da enxaqueca aumentaram bastante nos últimos anos.


Entender a enxaqueca como uma doença crônica muda a forma de cuidar dela. Assim como acontece com outras condições de longo prazo, o tratamento pode incluir estratégias contínuas, e não apenas respostas a cada crise.


Quem deve receber tratamento preventivo?


Segundo a nova diretriz, o tratamento preventivo deve ser oferecido a quem tem:

  • quatro ou mais dias de enxaqueca por mês

  • quatro ou mais dias por mês de dor de cabeça moderada ou forte

  • enxaqueca que atrapalha de forma importante o trabalho ou as atividades do dia a dia


O último critério é especialmente importante. A decisão não depende só de contar dias de dor. Ela também considera o quanto a enxaqueca interfere na vida da pessoa.


Quem se encaixa em alguma dessas situações pode conversar com o neurologista sobre a prevenção.


Como funcionam os medicamentos para prevenção da enxaqueca


Os remédios preventivos têm um objetivo diferente dos usados nas crises. Eles servem para reduzir a frequência e a intensidade das crises ao longo do tempo.


A diretriz destaca que esses medicamentos agem de formas diferentes. Eles podem ser divididos em dois grandes grupos:

  • Medicamentos criados para outras doenças, como depressão ou pressão alta, que depois se mostraram úteis para prevenir a enxaqueca.

  • Medicamentos desenvolvidos especificamente para a prevenção da enxaqueca.


A forma de uso também varia. Alguns são comprimidos tomados todos os dias. Outros são injeções aplicadas uma vez por mês ou a cada três meses.


Quais tratamentos têm as evidências mais fortes?


Segundo a diretriz, as evidências científicas mais fortes para a prevenção da enxaqueca são de quatro medicamentos:

  • erenumabe

  • galcanezumabe

  • fremanezumabe

  • toxina onabotulínica A, mais conhecida como toxina botulínica


Outros medicamentos têm evidências moderadas ou mais fracas, mas ainda podem ajudar algumas pessoas.


Isso não quer dizer que exista um remédio “melhor” para todo mundo. A força das evidências é um dos fatores na escolha, mas não o único.


A escolha do tratamento é feita em conjunto


A nova diretriz incentiva a decisão compartilhada: médico e paciente escolhem o tratamento juntos.


Nessa conversa entram vários fatores:

  • as evidências científicas de cada opção

  • os possíveis efeitos colaterais

  • o custo e a cobertura do plano de saúde

  • a praticidade (comprimido diário ou injeção mensal, por exemplo)

  • o estilo de vida

  • outras condições de saúde da pessoa


Na prática, o melhor tratamento preventivo é aquele que equilibra eficácia, segurança e a realidade de cada pessoa.


Gravidez e amamentação


A diretriz faz um alerta específico para quem está grávida, amamentando ou pensando em engravidar.


Alguns medicamentos podem afetar o desenvolvimento do bebê. Por isso, as opções devem ser discutidas com cuidado com o médico, de preferência antes da gravidez.


Quanto tempo leva para o tratamento preventivo fazer efeito?


Um dos pontos mais importantes, e que mais causa frustração, é o tempo de resposta.


O tratamento preventivo da enxaqueca não age de um dia para o outro. Segundo a diretriz:

  • O ideal é marcar um retorno com o médico cerca de dois a três meses depois de começar um novo medicamento preventivo.

  • A toxina botulínica pode levar até seis meses para mostrar diferença.


Saber disso ajuda a evitar uma desistência precoce. Muitas pessoas abandonam o tratamento nas primeiras semanas, achando que ele não funcionou, quando ainda não houve tempo para isso.


E se o primeiro tratamento não funcionar?


Se aparecerem efeitos colaterais ou se o medicamento não estiver ajudando, o médico pode ajustar a dose ou tentar outro remédio.


A diretriz traz uma mensagem importante: se um tipo de medicamento não funcionar bem, outro tipo ainda pode ser eficaz.


Como os remédios preventivos agem de formas diferentes, uma resposta ruim a um deles não significa que a prevenção não vai funcionar.


O papel do diário da enxaqueca


A diretriz recomenda manter um diário da dor de cabeça, que pode ser em papel ou em um aplicativo. Vale registrar:

  • quantas vezes as crises acontecem

  • a intensidade da dor

  • possíveis gatilhos

  • como a dor respondeu ao tratamento


Nas consultas, é útil levar esse diário e uma lista dos tratamentos já usados, atuais e anteriores.


Esses registros ajudam a avaliar se a prevenção está funcionando e a tomar decisões mais precisas sobre o tratamento.


O que muda na prática


A nova diretriz reforça algumas mensagens importantes para quem convive com a enxaqueca:

  • A enxaqueca é uma doença neurológica, e merece ser tratada como tal.

  • A prevenção é indicada para quem tem crises frequentes ou que atrapalham a vida.

  • Existem várias opções, com formas de uso e mecanismos de ação diferentes.

  • É preciso paciência: os resultados podem levar meses para aparecer.

  • Não funcionar uma vez não é o fim: outras opções podem dar certo.


Conclusão


A nova diretriz sobre prevenção da enxaqueca reforça que ela é uma doença neurológica crônica. Também define com clareza quem deve receber tratamento preventivo: quem tem crises frequentes ou que atrapalham a vida.


As opções aumentaram e o tratamento pode ser escolhido de forma individual, em conjunto com o médico, com paciência e acompanhamento.


Para quem convive com crises frequentes, a mensagem principal é que a enxaqueca não precisa ser enfrentada só no momento da dor. A prevenção é uma forma de recuperar espaço na rotina e mais controle sobre a própria vida.


Referência: AMERICAN ACADEMY OF NEUROLOGY. New research offers more options for migraine prevention. BrainHealth, 1 set. 2026. Revisado por Sarah Song. Disponível em: https://www.brainhealth.com/explore/news-research/migraine-prevention-guideline/. Acesso em: 23 out. 2026.


 
 
 

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