Biomarcadores distintos podem prever progressão da Esclerose Múltipla independentemente das recaídas
- Priscila Emery
- 5 de jan.
- 3 min de leitura

Uma nova pesquisa apresentada no ECTRIMS 2025, maior congresso europeu sobre esclerose múltipla (EM), identificou biomarcadores específicos associados à progressão da doença, independentemente da atividade de recaída. Esses achados podem transformar a maneira como médicos monitoram e tratam pacientes com EM, oferecendo uma visão mais completa da evolução da doença — não apenas focada em surtos.
Entendendo a progressão independente de recaídas
Tradicionalmente, o monitoramento da EM enfatiza a atividade de recaídas, que são episódios de agravamento neurológico seguidos de recuperação parcial ou total. No entanto, a EM também pode progredir silenciosamente, com incapacidades que se acumulam ao longo do tempo sem crises claras de recaída. Esse tipo de progressão, conhecida como progressão independente de recaídas (PIRA), representa um desafio para neurologistas e pacientes, pois muitas vezes passa despercebida até que o dano seja significativo.
Biomarcadores ligados à progressão da EM
A pesquisa analisou dados clínicos e laboratoriais para identificar sinais biológicos que pudessem indicar risco de progressão da doença mesmo quando os pacientes não apresentavam recaídas. Os pesquisadores encontraram biomarcadores distintos que parecem refletir processos neurodegenerativos ou inflamatórios subjacentes associados à progressão da incapacidade.
Esses marcadores podem ajudar a explicar por que alguns pacientes desenvolvem incapacidade gradual ao longo dos anos, mesmo sem crises aparentes. A capacidade de detectar esse risco mais cedo pode permitir intervenções terapêuticas mais adequadas e personalizadas.
Por que biomarcadores são importantes no acompanhamento da EM
Monitoramento além das recaídas
Tradicionalmente, médicos utilizam recaídas clínicas e achados de ressonância magnética (como novas lesões cerebrais) para avaliar a atividade da doença. No entanto, nem toda progressão causa novos surtos ou lesões visíveis, o que significa que pacientes podem estar acumulando dano neurológico sem que isso seja detectado por métodos tradicionais.
Biomarcadores podem oferecer uma medida mais sensível de processos patológicos que estão em andamento. Eles podem refletir mudanças no sistema imunológico, em mecanismos de reparo neural, ou em sinais de inflamação ou degeneração que não se manifestam imediatamente clinicamente.
Impacto clínico potencial desses achados
Personalização do tratamento
A identificação de biomarcadores ligados à progressão da EM pode permitir aos médicos:
Estratificar pacientes com maior risco de progressão silenciosa;
Ajustar terapias modificadoras da doença de maneira mais proativa;
Monitorar a eficácia do tratamento não apenas por meio de recaídas, mas também pela evolução biológica da doença;
Auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos que visem especificamente mecanismos de progressão da EM.
Prevenção da incapacidade a longo prazo
Se os médicos conseguirem identificar pacientes com alto risco de progressão antes que a incapacidade se torne clinicamente aparente, eles podem intervir mais rapidamente com tratamentos mais intensivos ou estratégias combinadas, o que pode retardar a perda funcional e preservar qualidade de vida.
O futuro da pesquisa em EM
Os pesquisadores destacaram que, embora esses biomarcadores sejam promissores, ainda são necessários estudos adicionais para validar o uso clínico em larga escala. A integração desses sinais biológicos em protocolos de avaliação da EM exigirá mais evidências e padronização.
No entanto, a pesquisa representa um avanço importante ao ampliar a compreensão sobre como a EM progride e como essa progressão pode ser medida de forma mais eficaz.
Conclusão: uma nova era no manejo da Esclerose Múltipla
O estudo apresentado no ECTRIMS 2025 indica que a progressão da esclerose múltipla — mesmo quando não há recaídas evidentes — pode ser monitorada com base em biomarcadores específicos. Essa descoberta tem o potencial de mudar o enfoque clínico da doença, permitindo uma avaliação mais sensível e personalizada do risco de incapacidade.
Entender e monitorar a EM por meio desses biomarcadores é um passo importante rumo a tratamentos mais eficazes, prevenção de incapacidades e melhor qualidade de vida para os pacientes.




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