Neuromodulação para bexiga neurogênica em mulheres com Esclerose Múltipla: métodos comparáveis e sem efeitos colaterais
- Priscila Emery
- 15 de jan.
- 3 min de leitura

O que é bexiga neurogênica na esclerose múltipla
A bexiga neurogênica é um distúrbio vesical que ocorre quando os sinais nervosos que controlam a micção estão comprometidos, como frequentemente acontece em pessoas com esclerose múltipla (EM), uma doença neurológica que afeta o sistema nervoso central. Essa condição pode causar sintomas como urgência urinária, frequência aumentada, incontinência ou dificuldade para esvaziar a bexiga.
O tratamento desse quadro pode incluir farmacoterapia, fisioterapia e intervenções mais específicas, como a neuromodulação, quando outras abordagens não são suficientes.
Estudo compara duas técnicas de neuromodulação
Uma pesquisa publicada em 11 de abril de 2025 na revista Neurodegenerative Disease Management avaliou a eficácia de duas técnicas de neuromodulação não invasiva em mulheres com EM e bexiga neurogênica hiperativa:
Estimulação do nervo tibial posterior transcutânea (TPTNS)
Estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS)
No estudo piloto, 16 mulheres com EM e sintomas de bexiga hiperativa foram randomizadas para realizar 10 sessões de tratamento ao longo de duas semanas. As duas técnicas foram aplicadas de forma padronizada e o desfecho principal foi a mudança em parâmetros urodinâmicos e medidas de sintomas relatados.
Resultados principais do estudo
Os pesquisadores não observaram diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros urodinâmicos entre os grupos TPTNS e rTMS, o que indica que ambos os métodos produzem resultados clínicos semelhantes no contexto da bexiga neurogênica associada à EM.
Entretanto, na análise dos diários miccionais dos pacientes, houve melhora significativa na frequência de noctúria (o ato de acordar à noite para urinar) no grupo tratado com TPTNS em comparação com o grupo rTMS.
Em escalas validadas avaliando sintomas e qualidade de vida, como o Overactive Bladder Questionnaire-V8 (OAB-V8), Incontinence Severity Index (ISI) e Incontinence Quality of Life Scale (I-QOL), não foram observadas diferenças significativas entre as técnicas.
O que isso significa para pacientes com EM
Os resultados sugerem que TPTNS e rTMS são opções viáveis, bem toleradas e sem efeitos colaterais importantes para o tratamento de bexiga hiperativa neurogênica em mulheres com EM.
Essas abordagens são consideradas não invasivas e simples de aplicar, ao contrário de terapias mais agressivas como neuromodulação sacral com implante cirúrgico ou o uso de toxina botulínica diretamente na bexiga, que pode ter limitações em certos pacientes.
A TPTNS funciona estimulando o nervo tibial posterior, que modula reflexos sacrais ligados ao controle da bexiga, enquanto que a rTMS atua por meio de estímulos magnéticos sobre áreas corticais relacionadas ao controle nervoso da micção. Ambos visam reduzir a hiperatividade detrusora e melhorar sintomas de urgência e frequência urinária.
Benefícios e considerações clínicas
✔️ Nenhum dos métodos apresentou efeitos colaterais significativos ou preocupantes, o que é um ponto positivo para sua utilização clínica.
✔️ Ambos podem ser aplicados sem necessidade de cirurgia, sendo opções particularmente adequadas para pacientes que não toleram medicamentos ou que apresentam efeitos adversos com terapias convencionais.
✔️ A melhora da noctúria com TPTNS pode representar um benefício específico para qualidade de sono e bem-estar geral.
Apesar dos resultados serem promissores, o estudo foi pequeno e de caráter preliminar, o que destaca a necessidade de ensaios clínicos maiores e com acompanhamento mais longo para confirmar e expandir esses achados.
Conclusão: opções de neuromodulação para bexiga neurogênica na EM
A neuromodulação representa uma abordagem segura, prática e eficaz para o manejo de sintomas de bexiga hiperativa em mulheres com esclerose múltipla. Tanto a estimulação do nervo tibial posterior transcutânea (TPTNS) quanto a estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS) mostraram resultados comparáveis em termos de eficácia e segurança, com algumas vantagens específicas observadas na TPTNS, como redução da noctúria.
Esses métodos ampliam as opções terapêuticas para pacientes que enfrentam disfunção vesical relacionada à EM e podem melhorar significativamente a qualidade de vida quando usados como parte de um plano multidisciplinar de tratamento.