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Como as crenças dos pacientes influenciam a incapacidade relacionada à enxaqueca

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 5 de jan.
  • 3 min de leitura


Como as crenças dos pacientes influenciam a incapacidade relacionada à enxaqueca
Como as crenças dos pacientes influenciam a incapacidade relacionada à enxaqueca


A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais incapacitantes, afetando milhões de pessoas no mundo e impactando não apenas a intensidade da dor, mas também a vida emocional e social dos pacientes.


Um estudo recente publicado na revista Headache Medicine explorou um aspecto frequentemente negligenciado na prática clínica: como as crenças psicológicas influenciam a incapacidade relacionada à enxaqueca.


Objetivo do estudo: crenças, emoções e dor


A pesquisa intitulada Patients’ beliefs and headache-related disability analisou a relação entre fatores psicológicos (como autoeficácia, locus de controle e distorções cognitivas) e as consequências da enxaqueca no dia a dia dos pacientes.


Foram incluídos 147 pacientes com enxaqueca de três serviços especializados em cefaleias no Brasil, que responderam a questionários sobre:


  • autoeficácia (crença na própria capacidade de lidar com a dor),

  • locus de controle (crença de que sua saúde depende de si ou de fatores externos),

  • sintomas psicopatológicos,

  • ansiedade e depressão,

  • distorções cognitivas,

  • frequência, intensidade e incapacidade causada pela enxaqueca.


Crenças psicológicas e incapacidade: como se relacionam

Os resultados revelaram associações claras entre crenças psicológicas e a severidade da enxaqueca:


✔️ Distorções cognitivas e incapacidade

Pessoas que apresentaram distorções cognitivas — como pensamentos negativos automáticos ou interpretação exagerada da dor — também tiveram maiores níveis de sintomas psicopatológicos, depressão, ansiedade, intensidade da dor e incapacidade relacionada à dor.


✔️ Autoeficácia como fator protetor

Pacientes com maiores crenças de autoeficácia — ou seja, que acreditam que conseguem controlar melhor as crises — tiveram menores níveis de incapacidade, ansiedade, depressão e sintomas psicopatológicos. Essa relação negativa evidencia a importância de fortalecer a autoconfiança no manejo da enxaqueca.


✔️ Locus de controle e sofrimento

Pessoas que acreditam que sua saúde está fora do seu controle (locus de controle por acaso) tiveram mais sintomas de ansiedade, depressão, distorções cognitivas e incapacidade em razão da dor. Isso sugere que a percepção de falta de controle sobre a enxaqueca pode piorar o sofrimento e limitar a capacidade funcional.


Cefaleia crônica x episódica: diferenças psicológicas


Ao comparar pacientes com enxaqueca crônica (episódios frequentes e persistentes) e enxaqueca episódica, o estudo encontrou diferenças marcantes:


  • Pacientes com enxaqueca crônica tinham níveis mais elevados de distorções cognitivas e crenças de que os eventos da vida controlam sua saúde.


  • Eles também apresentaram menores níveis de autoeficácia, indicando maior dificuldade para lidar com a dor e seu impacto no cotidiano.


Esses achados indicam que a cronicidade da dor não é apenas uma questão de frequência de sintomas, mas também de como o paciente percebe e reage emocionalmente à condição.


Implicações clínicas para o tratamento da enxaqueca


Esses resultados trazem um alerta importante para neurologistas, psicólogos e outros profissionais da saúde: a abordagem da enxaqueca deve ir além dos sintomas físicos.


➡️ Avaliar os fatores psicológicos, como autoeficácia e locus de controle, pode ajudar a entender melhor por que alguns pacientes desenvolvem maior incapacidade.


➡️ Intervenções que abordem distorções cognitivas e fortaleçam a autoeficácia — como terapias cognitivo-comportamentais — podem reduzir o impacto da enxaqueca na vida do paciente.


➡️Estratégias integradas que combinem manejo farmacológico e psicológico parecem promissoras para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida.


Conclusão: além da dor — o papel da mente na enxaqueca


A pesquisa publicada em Headache Medicine destaca que as crenças psicológicas influenciam significativamente a incapacidade decorrente da enxaqueca.


Ao incorporar avaliação psicológica e estratégias para promover controle e confiança no paciente, os profissionais de saúde podem oferecer um cuidado mais completo e eficaz.

Esse estudo reforça que a enxaqueca é uma condição biopsicossocial, em que aspectos mentais e emocionais são tão importantes quanto os sintomas físicos — e devem ser considerados no manejo clínico diário.


 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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