top of page

COVID-19 grave e o risco aumentado de esclerose mĂșltipla: o que sabemos atĂ© agora

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 22 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de set. de 2025


covid-19
Covid grave foi associada a um risco aumentado de esclerose mĂșltipla

Um estudo de larga escala realizado na SuĂ©cia revelou uma descoberta significativa: hospitalizaçÔes devido Ă  COVID-19 grave podem dobrar o risco de desenvolver esclerose mĂșltipla (EM). Publicado na Brain Communications, o estudo analisou dados de quase 10 milhĂ”es de pessoas, reforçando a importĂąncia de compreender as implicaçÔes de infecçÔes graves no desenvolvimento de condiçÔes autoimunes.


Esclerose mĂșltipla e infecçÔes: qual Ă© a conexĂŁo?

A esclerose mĂșltipla Ă© uma doença autoimune em que o sistema imunolĂłgico ataca a bainha de mielina, uma camada protetora ao redor das fibras nervosas, causando sintomas neurolĂłgicos variados. Estudos anteriores jĂĄ haviam demonstrado a ligação entre infecçÔes virais, como o vĂ­rus Epstein-Barr (EBV), e a EM, indicando que respostas imunes desencadeadas por infecçÔes podem afetar negativamente o sistema nervoso.


No caso da COVID-19, o estudo identificou que pessoas hospitalizadas por complicaçÔes graves apresentaram um risco significativamente maior de diagnóstico de EM em comparação com aquelas que tiveram casos leves ou moderados da doença.


Resultados do estudo: COVID-19 grave e o risco de EM

A anĂĄlise incluiu dados de 2020 a 2022, abrangendo casos graves e leves de COVID-19. Durante o perĂ­odo de acompanhamento, 787 pessoas foram diagnosticadas com esclerose mĂșltipla. Os principais achados foram:


  1. Risco aumentado em casos graves: Pacientes hospitalizados por COVID-19 grave tiveram 2,5 vezes mais chances de desenvolver EM em comparação com a população geral.

  2. Sem risco aumentado em infecçÔes leves: Nenhum aumento significativo no risco de EM foi observado entre aqueles que testaram positivo para COVID-19, mas não necessitaram de hospitalização.

  3. Período crítico de diagnóstico: A maioria dos diagnósticos de EM ocorreu nos primeiros seis meses após a hospitalização, com uma mediana de 82 dias entre a internação e o diagnóstico.


Esses achados sugerem que a gravidade da infecção desempenha um papel importante no risco de desenvolver EM, possivelmente ao desencadear respostas imunes que afetam o sistema nervoso central.


Por que a COVID-19 grave pode aumentar o risco de EM?

A hipótese principal é que uma resposta imune exacerbada à infecção grave pelo SARS-CoV-2 pode causar inflamação no cérebro e na medula espinhal, promovendo danos à mielina. Além disso, o vírus pode desencadear um ataque autoimune devido a semelhanças estruturais entre proteínas virais e do sistema nervoso.


Outro fator a ser considerado Ă© que a COVID-19 grave pode acelerar a progressĂŁo de condiçÔes prĂ©-existentes que ainda estavam em fase assintomĂĄtica, como a esclerose mĂșltipla latente.


O que isso significa para a população geral?

Embora o risco de desenvolver esclerose mĂșltipla seja maior em pacientes hospitalizados, Ă© importante destacar que a EM continua sendo uma doença rara. O nĂșmero absoluto de casos relacionados Ă  COVID-19 grave Ă© extremamente pequeno. Segundo os pesquisadores, "a maioria das pessoas infectadas nĂŁo desenvolverĂĄ EM, e a preocupação deve ser limitada a indivĂ­duos com sintomas suspeitos".


A importĂąncia do monitoramento e tratamento precoce

Para aqueles diagnosticados com esclerose mĂșltipla, o tratamento precoce Ă© fundamental para retardar a progressĂŁo da doença e melhorar a qualidade de vida. Portanto, pessoas que enfrentaram casos graves de COVID-19 devem estar atentas a sinais de problemas neurolĂłgicos, como:

  • Fadiga persistente;

  • Fraqueza muscular;

  • Problemas de visĂŁo;

  • DormĂȘncia ou formigamento em membros.


Caso qualquer um desses sintomas surja, buscar avaliação médica é essencial para um diagnóstico precoce.


ConclusĂŁo

O estudo sueco Ă© um marco na compreensĂŁo dos impactos a longo prazo da COVID-19 grave. Embora os resultados indiquem um risco aumentado de esclerose mĂșltipla em pacientes hospitalizados, a condição permanece rara.


A pesquisa destaca a importùncia de monitorar pacientes recuperados de COVID-19 grave para identificar precocemente condiçÔes relacionadas. Além disso, reforça a necessidade de esforços contínuos para prevenir infecçÔes graves, seja por meio de vacinação ou cuidados médicos adequados.


Se vocĂȘ passou por uma hospitalização por COVID-19 e apresenta sintomas neurolĂłgicos, nĂŁo hesite em procurar ajuda mĂ©dica. O diagnĂłstico e tratamento precoce fazem toda a diferença no manejo da esclerose mĂșltipla e outras condiçÔes autoimunes.

Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

CONTATO
(31) 3213-3022  |  (31) 99917-3022
Av. Professor Alfredo Balena, 189 SL 1708
Santa Efigênia,  Belo Horizonte - MG.
  • Instagram
© 2024 Site Dr. Paulo Christo   |   Todos os direitos reservados   |    DNZ Digital Criação de Sites
bottom of page