Distúrbios do sono são comuns em pessoas com Esclerose Múltipla e afetam qualidade de vida
- Priscila Emery
- 5 de jan.
- 3 min de leitura

Sono e Esclerose Múltipla: uma ligação frequente
Distúrbios do sono são extremamente comuns em pessoas com esclerose múltipla (EM), de acordo com um estudo recente. Pacientes com EM frequentemente relatam dificuldades para dormir, cansaço excessivo durante o dia e interrupções do ritmo natural do sono, impactando diretamente sua qualidade de vida e saúde geral. Esse problema merece atenção tanto de pacientes quanto de médicos que acompanham a doença.
Quão prevalentes são os problemas de sono na EM?
Pesquisas demonstram que mais da metade dos pacientes com EM apresentam algum tipo de distúrbio do sono.Esses distúrbios vão desde insônia e dificuldade em manter o sono, até apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e sonolência diurna excessiva — cada uma contribuindo de diferentes maneiras para o impacto negativo no bem-estar físico e emocional.
Principais tipos de distúrbios do sono observados
Insônia
A dificuldade em iniciar ou manter o sono é um dos problemas mais relatados por pacientes com EM. A dor, espasticidade (rigidez muscular), ansiedade e outras queixas relacionadas à EM podem dificultar a obtenção de uma noite de sono restauradora.
Apneia obstrutiva do sono
A apneia ocorre quando há interrupções respiratórias durante a noite, levando a episódios de despertares breves e prejudicando a continuidade do descanso. A EM pode influenciar esse quadro, especialmente em pacientes com fraqueza dos músculos respiratórios ou alterações neuromusculares.
Movimentos periódicos dos membros / Síndrome das pernas inquietas
Movimentos involuntários durante a noite também são comuns na EM. Esses episódios podem interromper repetidamente o sono profundo, gerando fragmentação do descanso e cansaço ao longo do dia.
Sonolência diurna excessiva
Mesmo após uma noite de sono aparentemente suficiente, muitos pacientes relatam incapacidade de permanecer acordados durante o dia, o que interfere no trabalho, nas atividades sociais e na segurança em tarefas como dirigir.
Por que esses problemas ocorrem na EM?
Os pesquisadores apontam diversos fatores que podem explicar essa ligação entre EM e distúrbios do sono:
Inflamação no sistema nervoso central: pode afetar o controle do ciclo sono-vigília.
Dor crônica e espasticidade muscular: interferem no adormecer e no sono contínuo.
Alterações emocionais e de humor: ansiedade e depressão, comuns em EM, prejudicam significativamente a qualidade do sono.
Efeitos colaterais de medicamentos: alguns tratamentos usados na EM podem impactar o padrão do sono.
Impacto na qualidade de vida e na progressão da doença
Distúrbios do sono em pessoas com EM não se limitam a gerar cansaço. A má qualidade do sono está associada a:
Piora da fadiga, um dos sintomas mais incapacitantes da EM.
Diminuição da função cognitiva, como memória e atenção.
Agravamento da dor e da espasticidade muscular durante o dia.
Maior risco de problemas emocionais, incluindo ansiedade e depressão.
Esses efeitos negativos podem criar um ciclo de piora, em que a falta de sono agrava sintomas da EM e, consequentemente, a própria doença e a sensação de bem-estar.
O que fazer se há suspeita de distúrbios do sono
Se uma pessoa com EM relata dificuldades persistentes para dormir ou sonolência exagerada durante o dia, é importante:
Conversar com seu neurologista ou médico de confiança: identificar padrões de sono e sintomas associados.
Avaliar a necessidade de estudos do sono, como polissonografia, que pode detectar apneia e outros distúrbios.
Revisar medicamentos e comorbidades que possam estar influenciando o sono.
Implementar higiene do sono, como manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir cafeína à noite e criar um ambiente adequado para o descanso.
Conclusão
Distúrbios do sono são muito comuns em pessoas com esclerose múltipla e têm um impacto profundo na qualidade de vida e na capacidade de lidar com a doença.Reconhecer esses problemas, buscar avaliação médica e adotar estratégias de manejo pode melhorar significativamente o bem-estar físico e emocional.
Cuidar do sono é cuidar da saúde neurológica — e a atenção aos padrões de descanso deve fazer parte do acompanhamento clínico de quem vive com EM.




Comentários