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Mulheres com esclerose múltipla recebem menos tratamento do que homens? O que as pesquisas revelam

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 10 de jun
  • 3 min de leitura

Diferenças no acesso às terapias modificadoras da doença reforçam a importância de decisões individualizadas no tratamento da esclerose múltipla em mulheres.
Diferenças no acesso às terapias modificadoras da doença reforçam a importância de decisões individualizadas no tratamento da esclerose múltipla em mulheres.


A esclerose múltipla afeta mais mulheres do que homens.


Mas um estudo recente trouxe um dado que chamou atenção da comunidade neurológica:

Mesmo apresentando a doença com frequência maior, mulheres podem ter menos acesso a terapias modificadoras da doença quando comparadas aos homens com o mesmo grau de gravidade.


Essa diferença levanta uma discussão importante sobre tratamento, planejamento familiar e equidade no cuidado.


O que são as terapias modificadoras da doença


As terapias modificadoras da doença (TMDs) são medicamentos utilizados para reduzir a atividade inflamatória da esclerose múltipla.


Seu objetivo é:

  • diminuir surtos

  • reduzir novas lesões no sistema nervoso central

  • retardar a progressão da incapacidade

  • preservar a função neurológica ao longo do tempo


Hoje, sabe-se que iniciar o tratamento precocemente pode influenciar significativamente a evolução da doença.


O que as pesquisas encontraram


Pesquisadores analisaram mais de duas décadas de dados de pessoas com esclerose múltipla remitente-recorrente diagnosticadas entre os 18 e 40 anos.


Após considerar fatores importantes como gravidade da doença, gravidez e período pós-parto, os resultados mostraram que mulheres tinham menor probabilidade de receber tratamento modificador da doença quando comparadas aos homens. A diferença foi ainda maior quando analisadas terapias de alta eficácia.


Por que isso pode estar acontecendo?


A explicação não parece ser simples.


Uma das hipóteses levantadas pelas pesquisas envolve o planejamento reprodutivo.

Historicamente, muitos tratamentos para esclerose múltipla exigiam interrupção antes da gravidez ou durante a gestação.


Isso levou médicos e pacientes a adotarem uma postura mais cautelosa em relação a determinadas terapias.


No entanto, o cenário mudou nos últimos anos.


Hoje existem medicamentos com dados de segurança mais robustos e estratégias terapêuticas que permitem um planejamento mais individualizado.


O impacto da antecipação da gravidez


Um dado particularmente interessante foi observado entre mulheres em idade fértil.

As pesquisas mostraram que a proporção de pacientes em tratamento começava a diminuir muitos meses antes da gestação.


Isso sugere que a simples expectativa de uma gravidez futura pode influenciar decisões terapêuticas, mesmo quando a gravidez ainda não aconteceu.


O risco de adiar ou evitar tratamento


A esclerose múltipla é uma doença inflamatória que pode causar danos neurológicos cumulativos ao longo dos anos.


Por isso, períodos prolongados sem tratamento podem aumentar o risco de:

  • novos surtos

  • novas lesões cerebrais

  • progressão da incapacidade

  • pior prognóstico a longo prazo


As evidências atuais reforçam que decisões terapêuticas precisam equilibrar controle da doença e planejamento reprodutivo, sem comprometer desnecessariamente a proteção neurológica.


Gravidez e esclerose múltipla: uma realidade diferente de décadas atrás


Durante muito tempo, a gravidez foi vista como um grande obstáculo ao tratamento da esclerose múltipla.


Hoje, a abordagem é mais sofisticada.


O acompanhamento individualizado permite avaliar:

  • atividade da doença

  • desejo reprodutivo

  • risco de surtos

  • opções terapêuticas disponíveis


Isso torna possível construir estratégias mais seguras tanto para a saúde neurológica quanto para o planejamento familiar.


O que isso muda na prática


Esses dados não significam que todas as mulheres estejam sendo tratadas inadequadamente.


Mas mostram que fatores ligados ao sexo e à possibilidade de gravidez ainda influenciam decisões terapêuticas de forma relevante.


Isso reforça a importância de conversas abertas entre paciente e equipe médica para que decisões sejam tomadas com base no risco individual e nas evidências mais atuais.


Conclusão


As pesquisas mostram que mulheres com esclerose múltipla podem receber menos terapias modificadoras da doença do que homens com características semelhantes.

Parte dessa diferença parece estar relacionada ao planejamento reprodutivo e à preocupação com gravidez futura.


No entanto, os avanços no tratamento e no conhecimento sobre segurança terapêutica tornam cada vez mais possível equilibrar proteção neurológica e projetos de vida.

E isso reforça uma mensagem importante:


O tratamento da esclerose múltipla deve ser individualizado, levando em conta não apenas a doença, mas também os objetivos e necessidades de cada pessoa.



 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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