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Obesidade aumenta o risco de desenvolver enxaqueca

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 5 de jan.
  • 3 min de leitura
Obesidade aumenta o risco de desenvolver enxaqueca
Obesidade aumenta o risco de desenvolver enxaqueca

Obesidade e enxaqueca: qual é a relação?


A relação entre obesidade e enxaqueca vem sendo investigada há anos, mas um novo estudo de grande porte trouxe dados inéditos ao analisar o risco de desenvolvimento da enxaqueca em pessoas que nunca haviam tido o diagnóstico. A pesquisa, realizada na Coreia do Sul com mais de 6,1 milhões de indivíduos, mostrou que tanto a obesidade geral quanto a obesidade abdominal estão associadas a um risco maior de enxaqueca ao longo do tempo.


O estudo foi publicado na revista Neurology e acompanhou adultos jovens entre 20 e 39 anos por quase uma década, reforçando que o excesso de peso pode influenciar não apenas a progressão, mas também o surgimento da doença.


O que o estudo analisou


Diferentemente de pesquisas anteriores, que avaliavam pessoas já diagnosticadas com enxaqueca, este estudo acompanhou indivíduos sem histórico prévio da condição. O peso corporal foi medido entre 2009 e 2012, e o aparecimento de enxaqueca foi monitorado até 2018.


A obesidade foi classificada de duas formas:

  • Obesidade total, medida pelo índice de massa corporal (IMC).

  • Obesidade abdominal, avaliada pela circunferência da cintura.


Os resultados foram ajustados para fatores como idade, sexo, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, renda e presença de doenças metabólicas.


Risco de enxaqueca aumenta conforme o peso


Os dados mostraram que o risco de desenvolver enxaqueca aumentou de forma progressiva e estatisticamente significativa conforme o IMC se elevava. Pessoas com sobrepeso já apresentaram um risco discretamente maior, enquanto indivíduos com obesidade em estágios mais avançados tiveram risco ainda mais elevado.


Esse padrão sugere uma relação dose-dependente, ou seja, quanto maior o grau de obesidade, maior a probabilidade de surgimento da enxaqueca.


A circunferência abdominal também importa


Além do IMC, a circunferência da cintura mostrou-se um fator relevante. Em comparação com indivíduos com medidas intermediárias, aqueles com cintura menor apresentaram menor risco de enxaqueca, enquanto o risco aumentou progressivamente à medida que a gordura abdominal crescia.


Esse achado é importante porque a obesidade abdominal está fortemente ligada à inflamação crônica, um mecanismo frequentemente associado à fisiopatologia da enxaqueca.


Possíveis mecanismos biológicos


Os pesquisadores levantam algumas hipóteses para explicar essa associação. A obesidade está relacionada ao aumento de mediadores inflamatórios, alterações hormonais e disfunções metabólicas, todos fatores que podem contribuir para a sensibilização do sistema nervoso e o aparecimento da enxaqueca.


Curiosamente, o estudo observou que, nos indivíduos com IMC muito elevado, o risco não aumentou de forma proporcional quando ajustado pela circunferência da cintura. Uma possível explicação seria a maior massa muscular, que possui propriedades anti-inflamatórias e pode exercer um efeito protetor.


O que esses achados significam na prática


Embora o aumento do risco de enxaqueca associado à obesidade tenha sido considerado pequeno, os resultados reforçam a importância do controle do peso como parte do cuidado global com a saúde neurológica. A obesidade já é um fator de risco conhecido para diversas doenças cardiovasculares e metabólicas, e agora também se mostra relacionada ao surgimento da enxaqueca.


Especialistas destacam que a perda de peso, quando indicada, pode contribuir para a melhora da frequência e intensidade das crises em pessoas com enxaqueca, além de trazer benefícios amplos para a saúde.


Conclusão


Este grande estudo populacional sugere que obesidade corporal e abdominal estão associadas a maior risco de desenvolver enxaqueca, especialmente em adultos jovens. Apesar das limitações, os achados ampliam a compreensão sobre fatores modificáveis relacionados à doença e reforçam que hábitos de vida saudáveis podem ter impacto não apenas metabólico, mas também neurológico.

 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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