Saúde mental no período periparto: risco aumentado em mães com esclerose múltipla
- Priscila Emery
- 7 de out. de 2025
- 3 min de leitura

A maternidade é um momento de grandes transformações físicas e emocionais. No entanto, para mulheres com esclerose múltipla (EM), o período que envolve a gestação e os primeiros anos após o parto pode representar um desafio ainda maior para a saúde mental. Um estudo publicado na revista Neurology revelou que mães com EM apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais periparto em comparação com mulheres sem a doença.
Estudo revela maior prevalência de transtornos mentais em mães com EM
Pesquisadores da Universidade Dalhousie, no Canadá, analisaram dados de quase 900 mil mães que tiveram filhos entre 2002 e 2017. Entre elas, 1.745 tinham diagnóstico de esclerose múltipla. O estudo avaliou a incidência e a prevalência de doenças mentais antes e depois do parto, comparando com mulheres que tinham epilepsia, diabetes, doenças inflamatórias intestinais ou nenhuma dessas condições.
Os resultados mostraram que mães com EM apresentaram índices significativamente maiores de ansiedade e depressão, tanto durante a gravidez quanto nos três anos seguintes ao parto. Durante o período pré-natal, 8,4% das mulheres com EM foram diagnosticadas com algum transtorno mental. Já no primeiro ano após o parto, esse número subiu para 14,2% — um aumento expressivo quando comparado às mães sem EM.
Depressão e ansiedade: os transtornos mais frequentes
Entre os diagnósticos mais comuns estavam depressão e transtornos de ansiedade, condições que, segundo os pesquisadores, podem ser agravadas pelas mudanças hormonais, pelo impacto físico da EM e pelas preocupações relacionadas aos cuidados com o bebê. Além disso, o estudo apontou que as mães com esclerose múltipla apresentaram risco 33% maior de desenvolver doenças mentais no primeiro ano após o parto em comparação com o grupo controle.
A pré-existência de uma doença neurológica crônica, como a EM, exige um acompanhamento multidisciplinar que vá além do controle dos sintomas físicos — é fundamental incluir o monitoramento da saúde emocional desde o início da gestação.
Consequências para mãe e bebê
Os pesquisadores alertam que o impacto da doença mental periparto não se limita à mãe. Transtornos como depressão pós-parto podem afetar o vínculo materno-infantil, interferindo no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. Além disso, a falta de tratamento adequado pode piorar o controle da esclerose múltipla, já que o estresse e o desequilíbrio emocional estão associados a um maior risco de surtos e piora dos sintomas.
Por isso, a identificação precoce e o tratamento adequado das alterações de humor e ansiedade são essenciais para garantir o bem-estar de ambos — mãe e bebê.
A importância da triagem e do acompanhamento médico
De acordo com os autores do estudo, médicos e equipes de saúde que acompanham gestantes com EM devem estar atentos aos sinais precoces de sofrimento emocional.A triagem para depressão e ansiedade deve ser parte da rotina de cuidado durante o pré-natal e o pós-parto, permitindo intervenções precoces e seguras.Terapias psicológicas, suporte psiquiátrico e acompanhamento neurológico integrado são estratégias eficazes para reduzir o risco de complicações e melhorar a qualidade de vida.
Prevenção e suporte emocional fazem diferença
A boa notícia é que existem formas de prevenir e reduzir o impacto da doença mental periparto em mulheres com EM.O acompanhamento contínuo, o apoio familiar, a prática de atividades físicas adaptadas, o tratamento individualizado e a participação em grupos de apoio são medidas que contribuem para um puerpério mais saudável.
A conscientização também é essencial: falar sobre saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de cuidado. Quanto mais cedo os sintomas forem identificados, maiores as chances de recuperação e equilíbrio emocional.
Conclusão
O estudo reforça a importância de olhar para a saúde mental como parte fundamental do tratamento da esclerose múltipla, especialmente durante a gestação e o pós-parto. Mulheres com EM precisam e merecem um acompanhamento atento, capaz de proteger tanto a saúde neurológica quanto o bem-estar emocional. Afinal, cuidar da mente é também cuidar do corpo e do futuro da maternidade.



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