Sensibilidade à temperatura pode ser um biomarcador útil da progressão da esclerose múltipla
- Priscila Emery
- 5 de jan.
- 3 min de leitura

O que é sensibilidade à temperatura na Esclerose Múltipla (EM)?
Pacientes com esclerose múltipla (EM) frequentemente notam que a exposição ao calor ou ao frio pode acelerar ou piorar temporariamente os sintomas neurológicos, um fenômeno clássico observado há décadas. Essa sensibilidade térmica — também chamada de fenômeno de Uhthoff quando relacionada ao calor — está presente em uma grande parte das pessoas com EM e pode incluir sintomas como fadiga, fraqueza, dificuldade de caminhada, visão turva e piora cognitiva em resposta a mudanças de temperatura corporal ou ambiente.
A sensibilidade à temperatura pode se manifestar tanto com ambientes quentes quanto frios, e muitos pacientes relatam que isso influencia sua capacidade de realizar atividades físicas e de manter rotinas normais no dia a dia.
Sensibilidade térmica como possível biomarcador de progressão da EM
Pesquisadores têm explorado a possibilidade de que a resposta do corpo à temperatura possa refletir aspectos da progressão da doença, incluindo a duração da EM, disfunções autonômicas e qualidade de vida dos pacientes. Estudos indicam que medidas de sensibilidade à temperatura podem estar associadas à progressão da EM, tornando-se um candidato promissor como biomarcador fisiológico além dos marcadores tradicionais como ressonância magnética ou neurofilamento leve.
Biomarcadores são sinais mensuráveis que ajudam a acompanhar a atividade da doença e a resposta ao tratamento. Na EM, já existem biomarcadores moleculares — como o nível de neurofilamento leve no sangue — que predizem atividade inflamatória e risco de incapacidade.
A sensibilidade à temperatura pode adicionar uma camada extra de informação, especialmente sobre como o sistema nervoso responde a estresses fisiológicos cotidianos.
Como a temperatura afeta os sintomas da EM
A sensibilidade térmica em EM está diretamente relacionada ao modo como a desmielinização do sistema nervoso central (SNC) retarda ou bloqueia a condução elétrica ao longo dos neurônios. Quando a temperatura corporal aumenta mesmo ligeiramente, os axônios desnudos ou desmielinizados podem falhar na transmissão de sinais, piorando sintomas motores e sensoriais.
Esse impacto é mais evidente com o calor, mas a exposição ao frio intenso também pode desencadear ou exacerbar sinais clínicos em algumas pessoas. A sensibilidade térmica manifesta-se em até 60%–80% dos pacientes com EM, de acordo com estudos centrados no paciente.
Por que isso importa para a progressão da EM
Identificar uma relação entre sensibilidade térmica e progressão da doença pode ajudar médicos e pacientes a:
Monitorar sinais sutis de alteração neurológica, especialmente em fases iniciais da EM.
Ajustar planos de reabilitação ou terapias baseados em como o sistema nervoso responde a estresses ambientais.
Personalizar acompanhamento clínico com foco não apenas em recaídas ou lesões estruturais, mas também em respostas funcionais a estímulos do dia a dia.
Além disso, a sensibilidade térmica pode se correlacionar com sintomas autonômicos e qualidade de vida, sugerindo que não é apenas um incômodo passageiro, mas uma resposta integrada do corpo à progressão da doença.
Dicas práticas para lidar com sensibilidade à temperatura na EM
Para pacientes com EM que observam piora de sintomas com mudanças de temperatura:
Ambientes frescos e estáveis geralmente ajudam a reduzir a exacerbação dos sintomas.
Roupas em camadas permitem adaptar-se às mudanças climáticas do ambiente externo ou interno.
Monitorar atividades que elevem a temperatura corporal, como exercícios intensos em clima quente, pode evitar picos de sintomas.
Consultas regulares com neurologista e equipe de cuidados garantem que estratégias de manejo sejam atualizadas conforme a evolução da doença.
Conclusão
A sensibilidade à temperatura não é apenas um desconforto comum em EM — ela pode refletir aspectos fundamentais da doença e servir como um biomarcador funcional importante. Ao integrar essa informação com biomarcadores moleculares e exames de imagem, os profissionais de saúde podem obter uma visão mais completa da progressão da EM e adaptar cuidados de forma mais eficaz.




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