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Uso do fio dental pode reduzir o risco de AVC isquêmico

  • Foto do escritor: Priscila Emery
    Priscila Emery
  • 5 de jan.
  • 3 min de leitura
Uso do fio dental pode reduzir o risco de AVC isquêmico
Uso do fio dental pode reduzir o risco de AVC isquêmico

A saúde bucal vai além do sorriso


Manter uma boa higiene bucal sempre foi associado à prevenção de cáries e doenças gengivais. No entanto, novas evidências científicas mostram que esse cuidado simples pode ter um impacto ainda maior: reduzir o risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, especialmente aqueles de origem cardioembólica.


Um estudo recente apresentado na International Stroke Conference 2025 revelou que o uso regular do fio dental está associado a menor incidência de AVC isquêmico e fibrilação atrial (FA), independentemente de outros hábitos, como escovação diária ou visitas regulares ao dentista.


Qual é a ligação entre fio dental, inflamação e AVC


A principal explicação para essa associação está na redução da inflamação sistêmica. O acúmulo de placa bacteriana entre os dentes favorece infecções orais e doença periodontal, que aumentam a inflamação no organismo. Esse estado inflamatório crônico pode contribuir para:


  • Aterosclerose

  • Alterações no ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial

  • Maior risco de AVC cardioembólico


Ao remover resíduos e placas bacterianas que a escova não alcança, o fio dental ajuda a controlar esse processo inflamatório, com reflexos diretos na saúde cardiovascular e cerebral.


O que o estudo analisou


A pesquisa avaliou 6.278 participantes do estudo Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), todos sem histórico prévio de AVC ou fibrilação atrial no início da análise. A idade média era de 62 anos, e os participantes foram acompanhados por mais de 25 anos.

O uso de fio dental foi considerado regular quando realizado pelo menos uma vez por semana. Os pesquisadores também coletaram dados sobre fatores de risco cardiovascular, perfil sociodemográfico, escovação dentária e frequência de consultas odontológicas.


Principais resultados


Após ajustes para múltiplos fatores de risco, os achados mostraram que o uso regular do fio dental esteve associado a:


  • 21% menos risco de AVC isquêmico

  • 44% menos risco de AVC cardioembólico

  • Redução significativa do risco de fibrilação atrial


O efeito protetor foi mais evidente nos AVCs cardioembólicos, sugerindo que a diminuição da inflamação e da fibrilação atrial pode ser o principal mecanismo envolvido.

Importante destacar: esses benefícios foram independentes da escovação dentária e das consultas odontológicas, indicando que o fio dental oferece um impacto adicional e específico na prevenção vascular.


Um hábito simples com grande potencial preventivo


Outro ponto relevante do estudo foi o efeito dose-dependente: quanto maior a frequência do uso do fio dental, menor a incidência de AVC isquêmico. Além disso, o fio dental se mostrou uma estratégia acessível, especialmente importante em populações com menor acesso a serviços odontológicos.


Embora não tenha sido observada associação significativa com AVC trombótico ou lacunar, os resultados reforçam o papel da inflamação sistêmica e das arritmias cardíacas na gênese dos AVCs mais graves.


O que isso muda na prevenção do AVC


Tradicionalmente, a prevenção do AVC foca em controle da pressão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo e sedentarismo. Esse estudo amplia essa visão ao sugerir que a higiene bucal, especialmente o uso do fio dental, pode ser mais um pilar da prevenção primária.


Trata-se de um cuidado simples, de baixo custo e com potencial impacto significativo na saúde cardiovascular e neurológica.


Conclusão


O uso regular do fio dental vai muito além da saúde bucal. Ao reduzir a inflamação sistêmica, ele pode ajudar a diminuir o risco de fibrilação atrial e AVC isquêmico, especialmente os de origem cardioembólica. Incorporar esse hábito à rotina diária pode ser uma estratégia adicional, simples e eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.


Cuidar da boca também é cuidar do coração — e do cérebro.

 
 
 

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Neurologista - CRM 26635 - RQE 15534

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